A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito que investigava a morte do motorista Francisco Werick Silva Alves, de 20 anos, ocorrida no dia 25 de julho de 2025, no bairro Santa Cruz, em Campo Maior, no Norte do Piauí. Após cerca de dez meses de investigação, a Delegacia Seccional de Campo Maior indiciou o policial militar do BEPI, Hesron Gonçalves de Sousa e Silva, pelo crime de homicídio simples.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito apontou “lastro material incontroverso” sobre a autoria dos disparos e a materialidade da morte do jovem. Em trecho do documento, a autoridade policial destacou que ficou evidenciada “a ocorrência de excesso na execução da repulsa à intrusão noturna verificada”. Ainda conforme o relatório final, “por tais fundamentos fáticos e jurídicos formula-se o indiciamento de Hesron Gonçalves de Sousa e Silva por homicídio simples”.
A investigação também afastou a hipótese inicial de crime passional. De acordo com a Polícia Civil, os elementos colhidos durante a apuração demonstraram que o investigado não possuía qualquer vínculo pessoal, afetivo ou conhecimento prévio da vítima. “O inquérito policial foi devidamente concluído, tendo o investigado sido indiciado pela prática do crime de homicídio, em razão do reconhecimento, em tese, de excesso na legítima defesa”, informou a polícia civil.
O que diz a perícia
As provas periciais reunidas durante a investigação apontaram que Francisco Werick morreu em decorrência de hemorragia provocada por quatro disparos de arma de fogo. O exame de microbalística confirmou que os tiros partiram da arma funcional do policial militar investigado. A perícia de local do crime também concluiu que não havia sinais de tentativa de arrombamento na residência onde estava o policial no momento do ocorrido.
O laudo pericial apontou ainda que os disparos foram efetuados à distância. Conforme os peritos, o gotejamento de sangue identificado no chão indica que a vítima teria realizado um trajeto de recuo ou tentativa de fuga após ser atingida. Outro ponto destacado pela investigação foi que um suposto simulacro de arma de fogo e um facão encontrados na cena estavam a 14,11 metros de distância do corpo de Werick. A perícia constatou ainda que o simulacro estava quebrado.
Durante a análise dos objetos apreendidos, os peritos identificaram material genético masculino de mais de duas pessoas nas armas encontradas, o que impossibilitou determinar quem teria manuseado os objetos. Com a conclusão do procedimento, o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que deverão adotar as providências legais cabíveis sobre o caso.
O que diz a acusação
O advogado que atua na acusação afirmou que irá buscar o reconhecimento de fraude processual, possível alteração da cena dos fatos e a inclusão de qualificadoras no processo para afastar a tese de legítima defesa.
Relambre o caso

O motorista Francisco Werick Silva Alves, de 19 anos, foi morto a tiros na madrugada do dia 25 de junho na rua Alberto Bona Neto, que liga os bairros Fripisa e Santa Cruz.
Segundo vizinhos, foram ouvidos cerca de quatro disparos.
De acordo com o relatório da Polícia Militar de Campo Maior e fontes da própria PM ouvidas pela reportagem, após cometer o crime, Hesron acionou os colegas do BEPI de Teresina, em vez dos policiais do 15º Batalhão de Campo Maior.
METÉRIA RELACIONADAS: Corregedoria da PM-PI colhe depoimentos em Campo Maior sobre morte de Werick Silva; policial segue afastado
Saiba o que disse, em depoimento, o policial acusado de matar jovem em Campo Maior (PI)
CASO WERICK: Última postagem de jovem morto por policial gera dúvidas sobre o crime
Mistério e versões conflitantes cercam morte de jovem por policial em Campo Maior



Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar